Matéria especial – Portal NossavozMT
O clima político em Lucas do Rio Verde voltou a ferver após o vereador Hélio Kaminski levar à tribuna, pela segunda sessão consecutiva, denúncias envolvendo a Associação Luverdense de Esporte e Lazer (ALEL), repasses públicos e supostas ligações irregulares entre membros da entidade e integrantes da administração municipal.
A crise começou após Kaminski se manifestar nas redes sociais e votar contra o repasse de R$ 1.319.918,78 à ALEL, alegando que a associação não existia no endereço indicado no Projeto de Lei. O posicionamento gerou reação imediata. Na sessão ordinária de 03 de novembro, profissionais contratados pela ALEL e crianças atendidas por programas esportivos lotaram o plenário em clara tentativa de pressionar o parlamentar.
Na sessão seguinte, o vereador retomou o tema, denunciando o que classificou como ataques, humilhações e tentativa de descredibilização realizados por colegas de parlamento.
“Fui ridicularizado porque acertei na denúncia”, diz vereador
Kaminski afirma ter sido alvo de xingamentos e acusações infundadas da base governista. Segundo ele, por mais de 12 minutos a liderança da situação o atacou para desviar o foco da denúncia.
“Fui chamado de leviano, cara de pau, contra o esporte, contra as crianças, contra professores e até de envergonhar a cidade. Chegaram a dizer que eu deveria tomar vergonha na cara e não participar de projetos esportivos da prefeitura. Como se, por usar serviços públicos, eu perdesse meu direito de fiscalizar”, disse.
O vereador comparou a postura dos colegas a práticas autoritárias:
“Desde quando quem recebe apoio público perde o direito de cobrar transparência? Ou Lucas do Rio Verde já virou uma mini ditadura comunista?”, provocou.
Novas denúncias: ligações diretas entre ALEL e prefeitura seriam ilegais
Após ser atacado, Kaminski decidiu aprofundar a investigação. E o que encontrou elevou ainda mais a gravidade do caso.
Segundo ele:
- O 1º secretário da ALEL possui cargo comissionado na prefeitura (Portaria 223/25);
- O 2º secretário também ocupa cargo de confiança (Portaria 1856/24);
- O atual secretário municipal de Esporte integra a diretoria da ALEL;
Kaminski lembra que o próprio Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei 13.019/2014) proíbe que agentes públicos integrem a diretoria de entidades que recebem recursos financeiros do município.
“O governo e a associação caminham juntos de forma ilegal. É uma ligação que compromete completamente a lisura dos repasses”, afirma.
Empresa ligada a ex-secretário e vereador também recebeu recursos públicos
A denúncia não para por aí.
Kaminski aponta ainda que o tesoureiro da ALEL foi administrador da empresa JLT Assessoria Esportiva, que prestava serviços a outras prefeituras enquanto seu titular ocupava o cargo de secretário de Esporte em 2020.
Em abril de 2025, a empresa passou por alteração contratual, mudando o nome para AL7 Eventos Esportivos Ltda. e recebendo um novo sócio — justamente um ex-secretário de Esporte e atual vereador.
Pouco tempo depois, segundo o vereador, a AL7 passou a receber da prefeitura empenhos que somam R$ 104.407,05.
E não para aí: o portal da transparência registra ainda outros dois empenhos próximos de R$ 30 mil, ampliando a suspeita de favorecimento.
“Agora está claro por que tentaram me calar”, dispara Kaminski
Kaminski afirma que a fúria contra sua fiscalização teve um motivo simples:
“Se a pedrada doeu, é porque acertou. Ficou evidente que havia algo muito errado e que alguns estavam desesperados para abafar.”
O vereador criticou o discurso de um colega que afirmou ser “o único defensor do esporte” na Câmara.
“Se já houve aqui alguém que combateu a corrupção, eu não sei. Mas agora tem”, rebateu.
Pedido de prestação de contas foi ignorado
O parlamentar revelou ainda que pediu, formalmente, que fosse pautada a votação de um requerimento solicitando todas as prestações de contas da ALEL desde sua criação, mas sua solicitação foi ignorada pelo plenário.
Ministério Público já analisa o caso
De acordo com Kaminski, o Ministério Público já está de posse dos documentos e deve concluir a análise nos próximos dias, podendo encaminhar providências ao Judiciário.
Vereador afirma que continuará fiscalizando
Para Kaminski, sua postura não mudará:
“Continuarei trabalhando pela coletividade, pela transparência e, acima de tudo, com independência. Se tiver falcatrua, vai parar mesmo.”
A denúncia expandiu rapidamente nas redes sociais e promete movimentar ainda mais o cenário político luverdense nos próximos dias.
A população aguarda os desdobramentos e a conclusão das investigações do Ministério Público sobre possível favorecimento político, conflito de interesses e irregularidades em repasses públicos envolvendo a ALEL e integrantes da gestão municipal.
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