O pastor Silas Malafaia, uma das vozes mais influentes do meio evangélico brasileiro, concedeu uma entrevista nesta quarta-feira e voltou a criticar duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom firme e emocionado, Malafaia destacou que as recentes decisões do magistrado não atingem apenas a sua figura pessoal, mas sim todo um segmento social que representa mais de 30% da população brasileira: os evangélicos.
Segundo Malafaia, a atuação do ministro tem gerado um efeito contrário ao pretendido: “Eu nunca fui unanimidade, nem tenho essa pretensão. Mas Alexandre de Moraes está me dando um tamanho maior do que eu tenho. Ele está transformando a minha voz em uma unanimidade dentro do mundo evangélico.”
O pastor também ressaltou que, diferentemente de outros líderes religiosos que preferem não se expor, ele assume a linha de frente no debate político e social. “Eu não uso ‘evangeliquês’. Eu falo de política, sociologia, fatos concretos. Desde criança, aprendi com meu pai a ler jornal e interpretar o mundo. Eu não cito Bíblia em cada frase. Eu vou para o debate público. E isso incomoda.”
Malafaia fez questão de frisar que sua postura não é de vaidade pessoal, mas de representação de uma massa que se sente perseguida:
“Os evangélicos não enxergam isso como uma questão política. Eles veem como perseguição religiosa. É aqui que Moraes colocou a mão na cumbuca.”
A fala ecoa em meio a tensões crescentes entre o STF e setores conservadores do país. Para o pastor, o ministro estaria alimentando ainda mais a mobilização do segmento evangélico:
“Eu tenho acesso à imprensa, falo com jornalistas todos os dias, concedo entrevistas. E a cada movimento de Alexandre de Moraes, ele me dá mais relevância. Não é por mim, é pelo segmento que eu represento. Um segmento gigantesco desse país.”
Contexto político
O posicionamento de Malafaia ganhou repercussão depois de informações divulgadas pela jornalista Bela Megale (O Globo), apontando que até ministros do STF, como André Mendonça e Gilmar Mendes, já discutiram internamente a força política do pastor no cenário nacional.
Mendonça, que é evangélico, teria alertado os colegas de corte de que Silas Malafaia não é unanimidade, mas que a postura do Supremo estaria contribuindo para torná-lo ainda mais representativo.
Voz que ecoa além da religião
Ao longo da entrevista, Silas Malafaia destacou que seu papel ultrapassa a esfera religiosa e se insere diretamente no campo político e social. Deputados e senadores ligados ao segmento evangélico, segundo ele, reconhecem sua influência.
“Eu não tenho medo de me expor. Isso atrai para mim uma responsabilidade: falar aquilo que milhões de evangélicos gostariam de dizer, mas não têm o espaço para isso. Hoje, eu sou essa voz”, concluiu.
A fala de Malafaia reforça um embate que ultrapassa questões pessoais, transformando-se em um dos pontos mais delicados da relação entre STF e o segmento evangélico, considerado decisivo no cenário político brasileiro.
