Ludio e senador Calos Fávaro durante campanha.

Repasses milionários: a publicitária do PT e o “Careca do INSS” entram no foco da CPMI do INSS

Brasil Política

Brasília, outubro de 2025 — O levantamento recente de investigações sobre fraudes previdenciárias no Brasil trouxe à tona uma nova suspeita que envolve uma publicitária ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT) e empreendimentos de parte do esquema conhecido como “Careca do INSS”. De acordo com documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apresentados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a publicitária Danielle Miranda Fonteles recebeu R$ 5 milhões do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”.

Quem é “Careca do INSS”

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos centrais no esquema de fraudes que envolve associações para descontos indevidos nas aposentadorias e pensões. Segundo as investigações, ele atuava como intermediário financeiro — recebia valores de entidades associativas que faziam descontos nas folhas de benefícios do INSS, e repassava parte desses valores para servidores públicos suspeitos de participação no esquema.

O que dizem os documentos

  • Os depósitos a Danielle Miranda ocorreram entre novembro de 2023 e março de 2025, no intervalo em que o esquema investigado se mostra mais intenso.
  • Foram registradas seis transferências ao todo.
  • O último repasse foi feito um mês antes da deflagração da Operação “Sem Desconto”, da Polícia Federal, que busca desbaratar o esquema envolvendo descontos fraudulentos de benefícios previdenciários.

A versão da publicitária

Danielle Miranda Fonteles emitiu nota dizendo que os referidos valores se referem à negociação de venda de um imóvel em Trancoso, distrito de Porto Seguro, Bahia. Segundo sua versão, o valor total do negócio seria de aproximadamente R$ 13 milhões, embora ela alegue que o negócio acabou não sendo concluído por causa das investigações.

Suspicionamentos e lacunas

Embora não haja (ainda) comprovação sólida de irregularidade quanto especificamente às transações entre Antunes e Fonteles, o relatório do Coaf chama atenção para alguns elementos que suscitam dúvidas:

Ausência de vínculo claro

Segundo os informes, não foi identificada uma relação familiar, societária ou outro vínculo econômico explícito entre Antunes e Danielle Miranda que justificasse os repasses de forma transparente.

Histórico do doador
Antunes já está no centro de apurações criminais ligadas a fraudes previdenciárias; ele figura em diversos relatórios investigativos. Isso acrescenta risco reputacional à legitimidade das transações.

Sincronização com operações policiais
O fato do último repasse ocorrer pouco antes da operação federal que desencadeou mandados de investigação sugere para alguns observadores uma possível tentativa de movimentar valores antes de medidas legais mais rígidas.

Reações políticas e institucionais

  • A CPMI do INSS passa a analisar os documentos do Coaf e outros relatórios para verificar se há indícios suficientes para que haja responsabilização legal ou penal.
  • Do lado da defesa de Antunes, há negações de dolo e de que ele tenha responsabilidade direta sobre os descontos indevidos nas aposentadorias, afirmando que sua empresa prestava serviços para associações e que não controlava a forma como as associações operavam.
  • Fonteles, por sua vez, mantém a versão de que os pagamentos decorrem de uma negociação imobiliária, não de prestação de serviços de marketing ou compensação política

Implicações e pontos a vigiar

  • Caso fique demonstrado que houve ocultação de origem, lavagem de dinheiro ou vínculo entre os valores e o esquema de fraudes do INSS, poderá haver consequências legais tanto para o empresário quanto para quem recebeu os repasses.
  • Também podem surgir efeitos políticos, sobretudo para o PT, dependendo de como se aprofunde a percepção pública sobre transparência e uso de recursos de campanhas eleitorais ou de marketing político.
  • A investigação reforça a importância do controle de movimentações financeiras atípicas quando há envolvimento de agentes com histórico de investigações ligadas à irregularidades no serviço público.

Situação atual

Até agora, não há sentença ou condenação relacionada a esse caso específico dos repasses para Danielle Miranda. As apurações estão em curso, e há mobilização por parte da CPMI para obter documentos, esclarecimentos e eventuais responsabilizações.

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