Realidade dura nas escolas
O professor da educação básica vive uma rotina marcada por pressões intensas. Diferente do docente universitário, ele lida diariamente com alunos que muitas vezes vão à escola sem interesse em estudar. Esse cenário gera estresse, cansaço e um processo silencioso de adoecimento. Para complementar a renda, muitos precisam assumir aulas em três, quatro ou até cinco escolas. Cada instituição traz novos desafios, criando um ciclo de desgaste constante.
Burnout: uma bomba-relógio
Especialistas alertam que a soma dessas pressões transforma a docência em um gatilho para o burnout. O professor, pressionado por múltiplos vínculos de trabalho e por condições adversas, acaba esgotado. “Uma hora ele estoura”, resume um educador. O risco é que esse colapso atinja não apenas a saúde do profissional, mas também o próprio aprendizado dos estudantes.
A fala da gestão estadual
O secretário de Educação de Mato Grosso, Alan Porto, ao comentar sobre afastamentos, destacou que não há indicadores que apontem para um quadro alarmante de adoecimento. Segundo ele, em uma rede com 40 mil servidores, sendo 25 mil professores, a taxa de absenteísmo caiu de 7% para 1% nos últimos anos. “Trabalho com evidências, e hoje temos um cenário mais equilibrado”, afirmou. Para o gestor, a queda nesse índice comprova a eficácia das políticas de Estado implementadas na rede.
Além dos números: a vida dos professores
Entretanto, restringir a análise apenas a números e resultados pode ser um equívoco. Esperar que o professor seja medido exclusivamente pelos índices de desempenho dos alunos é desumano. A qualidade da educação passa também pelo bem-estar de quem ensina. Sem saúde física e emocional, nenhum indicador será capaz de traduzir a realidade vivida nas salas de aula.
Um chamado para reflexão
O debate precisa avançar para além das estatísticas. É urgente olhar para o professor como ser humano, sujeito a limites e vulnerabilidades. Valorizar esse profissional não pode se restringir a cobrar resultados, mas sim garantir condições dignas de trabalho, apoio psicológico e políticas de valorização que ultrapassem a lógica fria dos indicadores.
