O desafio de contratar bem
“Erro de contratação não se conserta em treinamento.” A afirmação da especialista em psicologia e comportamento humano, Andrea Vermont, joga luz sobre um dos maiores dilemas das empresas modernas: identificar, ainda no processo de seleção, quem realmente tem perfil para contribuir com a organização.
Segundo Vermont, muitos gestores apostam na ideia de que falhas comportamentais podem ser corrigidas com treinamentos posteriores. Contudo, ela reforça: o que não está alinhado na essência do indivíduo dificilmente será moldado no ambiente corporativo.
Perguntas que fogem do óbvio
Para evitar erros, Andrea Vermont defende o uso de perguntas “absolutamente disruptivas”. Entre elas: Como você trata seu pai?, O que você gosta de comer?, Se chegar em casa e não houver janta, como você reage?.
Embora possam parecer simples ou até estranhas, essas perguntas revelam padrões de comportamento que, para ela, se repetem do ambiente familiar ao mundo corporativo. “Um filho que não respeita pai e mãe tende a ser um colaborador difícil de lidar. Vai causar problemas para líderes, supervisores e para a equipe inteira”, explica.
Estudos atuais reforçam a tese
Pesquisas recentes em psicologia organizacional comprovam a análise de Vermont. Um estudo da Journal of Applied Psychology mostra que disciplina, respeito a regras e capacidade de lidar com frustrações são mais previsíveis em contextos familiares e sociais do que em provas técnicas.
Além disso, dados da consultoria McKinsey (2023) revelam que empresas que priorizam avaliações comportamentais reduzem em até 30% a rotatividade no primeiro ano de contratação. O impacto é direto: menos custos, maior engajamento e aumento da produtividade.
Do currículo à cultura da empresa
É comum que recrutadores priorizem diplomas e certificados, mas, segundo Andrea Vermont, a cultura de uma organização é sustentada por valores, não apenas por habilidades técnicas. Por isso, contratar alguém com ótimo currículo, mas desalinhado culturalmente, pode gerar conflitos que nenhum treinamento resolverá.
O futuro da seleção
Com o avanço da inteligência artificial e a consolidação das entrevistas comportamentais estruturadas, empresas começam a valorizar mais a profundidade das perguntas do que respostas decoradas. Andrea Vermont acredita que o futuro do recrutamento está em processos capazes de revelar como o candidato pensa, sente e reage diante de situações reais.
“Contratar bem é investir no futuro da empresa”, afirma a especialista. Para ela, perguntas inesperadas podem ser o caminho para descobrir se o candidato será parte da solução ou da dor de cabeça.
