Paciente aguarda há quatro anos por cirurgia de urgência enquanto enfrenta falhas na regulação
Um morador de Lucas do Rio Verde procurou nossa equipe para relatar a indignação com o que classifica como “descaso do poder público” na área da saúde. Residente no município há mais de 15 anos e contribuinte regular de impostos, ele afirma viver uma verdadeira maratona burocrática em busca de atendimento médico.
Quatro anos de espera
O paciente iniciou acompanhamento no posto de saúde do bairro onde mora há cerca de quatro anos. Após consultas e exames, um otorrinolaringologista indicou a necessidade de cirurgia com urgência. Desde então, porém, o processo se arrasta sem solução.
Segundo ele, a Central de Regulação entrou em contato duas vezes. Na primeira, marcaram um exame pré-operatório em Sorriso. O cidadão viajou cerca de 60 quilômetros até a cidade vizinha, mas, ao chegar, foi informado de que a clínica não realizava aquele tipo de procedimento. “A médica disse que já tinha comunicado os responsáveis em Lucas, mas mesmo assim continuam encaminhando pacientes para lá”, relatou.
Sem previsão
De volta a Lucas, ele buscou esclarecimentos na Central de Regulação. Após ouvir desculpas e promessas de correção, não conseguiu falar diretamente com o responsável. Um ano depois, ao procurar novamente, recebeu a informação de que sua solicitação de cirurgia de urgência estava inserida na lista de espera do Estado.
Na última semana, o morador voltou ao setor, no Jardim das Palmeiras, e ouviu que seus dados haviam sido encaminhados para Cuiabá. A cirurgia, segundo a atendente, deve ser realizada na capital, mas não há previsão de consulta nem do procedimento cirúrgico.
Indignação coletiva
O paciente afirma que saiu mais uma vez indignado com a falta de resposta concreta. Além disso, observou que não está sozinho: outras pessoas aguardavam no local e reclamavam das mesmas dificuldades.
“O contribuinte é jogado de um lado para outro. A Prefeitura coloca a culpa no Estado, o Estado justifica a demora na demanda e, no fim, a solução nunca chega para quem precisa”, lamentou.
Em tom de desabafo, o morador completou:
“Já estou pensando em contratar um plano de saúde para ver se consigo resolver esse problema. Mas isso é angustiante, porque viver no Mato Grosso com esse custo de vida é pesado. O cidadão ou se alimenta e paga as despesas de casa, ou tenta sobreviver pagando saúde por conta própria. Não dá para aceitar isso.”
Posição da gestão
A equipe do jornal também conversou com pessoas ligadas à gestão da saúde no município. Elas reconheceram que há demora nos casos de média e alta complexidade e explicaram que a pasta tem passado por mudanças estruturais nos últimos meses. Segundo essas fontes, a expectativa é que problemas como esse sejam sanados em até seis meses, com melhorias na regulação e na articulação junto ao Estado.
Contexto
Casos como esse expõem o impacto da burocracia e da falta de integração entre município e Estado no atendimento de procedimentos de alta complexidade, realidade que atinge inúmeros pacientes em Lucas do Rio Verde e em todo o Mato Grosso. Enquanto isso, moradores continuam enfrentando viagens, frustrações e incertezas diante de problemas de saúde que, muitas vezes, exigem urgência.

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