Enquanto problemas reais do Brasil e de Mato Grosso ficam em segundo plano, a imprensa insiste em transformar Bolsonaro em pauta diária
Dia após dia, os principais jornais do país mostram um fenômeno curioso: dizem rejeitar Bolsonaro, mas não conseguem viver sem falar dele. Desde 2018, quando foi eleito presidente, o ex-chefe do Executivo nunca saiu das manchetes. E, mesmo após a derrota para Lula em 2022, a dependência da mídia em manter Bolsonaro como pauta parece uma necessidade diária.
O problema é que, nesse processo, assuntos que deveriam mobilizar a sociedade são deixados de lado. O recente escândalo do roubo no INSS, a falta de recursos para hospitais, os cortes de verbas em universidades e até os rombos em estatais como os Correios acabam sendo tratados como nota de rodapé. A imprensa prefere gastar páginas e minutos de telejornal com as decisões judiciais que envolvem Bolsonaro, ignorando os erros e omissões do atual governo.
O silêncio conveniente
Esse silêncio diante da má administração federal não é neutro. Pelo contrário, reforça a percepção de que parte da imprensa cumpre um papel de proteção política. Ao mesmo tempo em que condena Bolsonaro por qualquer movimento, a mídia evita aprofundar as falhas da gestão petista. O resultado é uma narrativa parcial, que desinforma o cidadão comum e mascara a gravidade de problemas que batem na porta das famílias brasileiras.
Reflexo em Mato Grosso
Em Mato Grosso, esse cenário também se repete. Questões que deveriam estar no centro da cobertura, como a crise na saúde pública, a demora na recomposição de verbas para educação e os impactos da alta de preços na vida das famílias, perdem espaço para matérias nacionais repetitivas sobre Bolsonaro. O mato-grossense acompanha a política estadual com interesse, mas vê que os grandes veículos preferem ecoar narrativas prontas vindas de Brasília em vez de questionar as consequências locais da má condução do governo atual.
Dependência e descaramento
O que se observa é uma contradição: a mídia afirma rejeitar Bolsonaro, mas continua dependente dele para gerar manchetes e atrair audiência. Essa insistência revela não apenas falta de pauta, mas também um certo descaramento em não confrontar os erros do governo Lula. Para quem defende princípios conservadores, fica claro que o país precisa de uma imprensa livre e crítica, que não se esconda atrás de conveniências políticas e que dê espaço aos problemas reais do povo.
O que está em jogo
Enquanto os jornais preferem falar de Bolsonaro, a vida segue dura para milhões de brasileiros. Mato Grosso, que lidera índices de produção agrícola e sustenta parte significativa da economia nacional, também sofre com falhas em áreas essenciais. A falta de cobertura honesta sobre esses temas mostra que a disputa política muitas vezes fala mais alto do que a responsabilidade jornalística.
No fim das contas, o que o cidadão espera não é um noticiário que se alimente de um único personagem, mas uma imprensa que trate com seriedade os desafios que estão na mesa: saúde, segurança, educação, emprego e o futuro do país.
A reflexão que fica é simples: quanto tempo ainda vamos perder discutindo apenas um nome, enquanto as demandas urgentes do Brasil seguem sem solução?
