Decisão aponta irregularidades na campanha de 2024 do parlamentar
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso determinou que o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) devolva R$ 466.160,34 ao Tesouro Nacional por irregularidades na prestação de contas de sua campanha de 2024. A decisão, assinada no dia 10 de setembro de 2025 pelo juiz Alex Nunes de Figueiredo, da 55ª Zona Eleitoral de Cuiabá, evidencia falhas na aplicação de recursos públicos durante a disputa eleitoral.
De acordo com a sentença, Lúdio Cabral não comprovou despesas em diversas áreas, incluindo alimentação, combustível, serviços de mobilização de rua e produção audiovisual. O magistrado também apontou pagamentos acima dos valores contratados, doações de fontes vedadas e falta de documentação que respaldasse gastos da campanha.
Apesar das falhas, as contas foram aprovadas com ressalvas, mas a determinação de devolução do valor irregular é definitiva no âmbito da decisão de primeira instância. O montante deve ser restituído ao Tesouro Nacional conforme os prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Um “bom moço” em contradição
O episódio expõe um contraste incômodo: enquanto Lúdio Cabral se apresenta como defensor da ética e crítico ferrenho da corrupção, a prática revela os velhos costumes do seu partido ainda atuantes. A retórica de integridade esbarra na realidade das contas eleitorais, recheadas de falhas que mancham o discurso moralista.
Esse não é um caso isolado. A repetição de escândalos envolvendo uso irregular de recursos públicos em campanhas eleitorais reforça a percepção de que parte da velha política sobrevive travestida de novos discursos. No fim das contas, o eleitor que acreditou em transparência e renovação vê-se diante de mais um episódio em que o “bom moço” tropeça nas práticas tradicionais de sua legenda.
