Janaina Riva volta a criticar Governo de Mato Grosso: “O governador não gosta de servidor público” — e amplia denúncia para Educação e Saúde

Cidades MT Economia

A polêmica em torno do reajuste salarial dos servidores do Judiciário de Mato Grosso ganhou novos contornos após o forte discurso da deputada Janaina Riva (MDB) na tribuna da Assembleia Legislativa. Em tom duro, a parlamentar afirmou que o governador Mauro Mendes (União) “não gosta de servidor público” e acusou o Executivo de agir com descaso em relação à valorização das categorias do Estado — incluindo profissionais da Educação, Saúde e Segurança.

Janaina cobrou coerência e transparência do governo ao tentar barrar o reajuste de 6,8% aprovado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), dentro do próprio orçamento do Poder Judiciário. Segundo a deputada, o argumento de que o Executivo não poderia conceder aumento por falta de recursos “não cola”, já que o Estado deve arrecadar cerca de R$ 10 bilhões a mais do que o previsto ainda neste ano.

“Conversa fiada dizer que não tem dinheiro. O Executivo arrecadou quase 10 bilhões a mais do que o previsto. Não é prioridade. O governo não gosta de servidor. Será que vocês ainda não entenderam isso? Ou precisa desenhar?”, disparou Janaina Riva, durante seu discurso.

A deputada reforçou que o Judiciário de Mato Grosso tem o segundo pior salário do país e que a desvalorização vem desmotivando profissionais que atuam em comarcas sobrecarregadas. “É injusto exigir mais trabalho de um servidor que já carrega o peso da falta de valorização. Se queremos um Judiciário eficiente, precisamos garantir condições dignas para quem faz a Justiça acontecer”, completou.

Reajuste barrado e servidores descontentes

O reajuste de 6,8% para servidores do Judiciário foi alvo de forte resistência do governo Mauro Mendes, que alegou necessidade de “equilíbrio fiscal” e risco de “efeito cascata” entre os poderes. No entanto, a oposição rebateu, afirmando que o reajuste não depende do Executivo, pois está previsto dentro do orçamento do próprio TJMT.

A tensão não se limita ao Judiciário. Servidores da Educação e da Saúde também têm denunciado a falta de valorização e a defasagem salarial. Professores da rede estadual afirmam acumular perdas salariais acima de 30% nos últimos anos, mesmo com o aumento da arrecadação do Estado. Na Saúde, profissionais relatam sobrecarga, contratos precários e falta de reposição salarial real, especialmente entre técnicos e enfermeiros.

“O governo trata gente como número. Não é só o Judiciário, é o professor, é o enfermeiro, é o policial. Todos esperam reconhecimento e o mínimo de respeito. Quando se fala em reajuste, o Executivo corre para barrar, mas para publicidade e obras, o caixa está sempre cheio”, criticou Janaina Riva.

Arrecadação recorde, mas sem reajuste

Dados da Secretaria de Fazenda apontam que Mato Grosso deve fechar 2025 com crescimento de arrecadação próximo a 14%, impulsionado pelo agronegócio e pelo aumento das exportações. Ainda assim, as categorias do funcionalismo seguem sem perspectiva de recomposição salarial integral.

Enquanto o governo insiste em manter o teto de gastos e fala em “responsabilidade fiscal”, sindicatos e parlamentares da oposição argumentam que há espaço orçamentário suficiente para conceder o reajuste sem comprometer as finanças públicas.

Clima de tensão política

A votação do reajuste no plenário da Assembleia foi marcada por pressão e clima de divisão. A base do governo tentou adiar a decisão, enquanto a oposição exigiu votação aberta e nominal. “Queremos saber quem está do lado do servidor e quem prefere agradar o Palácio Paiaguás”, afirmou Janaina.

A deputada garantiu que continuará cobrando valorização de todas as categorias do serviço público e afirmou que não aceitará retrocessos:

“Enquanto eu estiver neste plenário, não vou admitir nenhum direito a menos para nenhum servidor — seja do Executivo, do Legislativo, da Educação, da Saúde ou da Segurança. Quem move o Estado são os servidores, e não os discursos vazios.”

Cuiabá, MT — Redação NossaVozMT

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *