Mato Grosso enfrenta uma escalada alarmante de feminicídio. Apenas em 2024, 47 mulheres foram assassinadas em razão de gênero, segundo a Polícia Judiciária Civil. O número coloca o estado no topo do ranking nacional, com uma taxa de 2,5 casos por 100 mil mulheres, a mais alta do Brasil.
As estatísticas revelam que a violência ocorre, em sua maioria, dentro de casa. Mais de 70% das vítimas foram mortas no ambiente doméstico, e 38% já haviam sofrido agressões anteriores praticadas por parceiros ou ex-companheiros. No entanto, apenas 17% haviam denunciado formalmente os agressores.
Cidades em destaque
O cenário preocupa ainda mais quando analisado por município.
- Rondonópolis registrou 20 feminicídios em sete anos, sendo dois apenas no primeiro semestre de 2025.
- Cuiabá aparece com números elevados em relatórios estaduais, embora o detalhamento mais recente ainda não tenha sido divulgado publicamente.
- Em cidades como Sinop, Sorriso, Tangará da Serra e Lucas do Rio Verde, gestores locais confirmam a gravidade da situação, mas relatórios específicos permanecem limitados ou em fase de consolidação.
A falta de transparência sobre os números municipais dificulta a implementação de políticas públicas mais direcionadas. Enquanto isso, as estatísticas estaduais mostram que, em 2024, mais de 17 mil medidas protetivas de urgência foram solicitadas. Contudo, apenas uma das mulheres assassinadas tinha esse recurso ativo no momento do crime.
Impacto social
As consequências ultrapassam as estatísticas. O feminicídio deixou 89 filhos órfãos em Mato Grosso somente em 2024, muitos deles crianças pequenas que agora enfrentam a ausência materna. Especialistas alertam que, além da repressão, é fundamental investir em prevenção, fortalecimento das redes de apoio e incentivo às denúncias.
Um chamado à sociedade
O aumento dos casos expõe a necessidade de uma resposta coletiva. Não basta apenas a atuação do poder público; a sociedade precisa romper o silêncio diante da violência. Cada feminicídio não é apenas um número: é uma vida perdida, uma família destruída e um reflexo de um problema estrutural que exige enfrentamento imediato.
