Por Redação NossaVozMT | Lucas do Rio Verde – MT | 25 de outubro de 2025
O coração dos mato-grossenses pede socorro. Nos últimos anos, o número de internações e mortes por doenças cardiovasculares disparou em todo o estado, revelando um cenário preocupante que desafia o sistema público de saúde e exige mudanças urgentes nos hábitos da população.
Levantamento recente mostra que as mortes por doenças do coração aumentaram 124% em Mato Grosso entre 2019 e 2023, saltando de 2.204 para 4.496 óbitos, segundo dados divulgados pela Gazeta Digital. Além disso, as internações por infarto cresceram 229%, segundo a Unimed Cuiabá — uma elevação que especialistas atribuem ao envelhecimento da população, ao sedentarismo e à alimentação cada vez mais industrializada.
Internações de urgência dominam o cenário
Entre 2019 e 2023, 12.768 pessoas foram internadas por insuficiência cardíaca em Mato Grosso, conforme estudo da Revista Fisioterapia em Movimento. Destas, 98% chegaram ao hospital em caráter de urgência, o que mostra que o diagnóstico ainda ocorre tarde demais.
A faixa etária mais atingida está entre 60 e 79 anos, predominando entre homens e pessoas de etnia parda.
“Esses números mostram que a prevenção ainda não está funcionando. Quase todos os pacientes só procuram atendimento quando o quadro já é grave”, alerta o cardiologista Dr. André Moraes, de Cuiabá. “Se a população fizesse exames regulares, muitos casos poderiam ser evitados ou controlados antes do agravamento.”
Custo alto e desigualdade regional
Os gastos hospitalares com insuficiência cardíaca em Mato Grosso passaram de R$ 24 milhões em quatro anos, com quase 30% concentrados apenas em 2023.
Segundo o pesquisador Paulo Oliveira, especialista em gestão hospitalar, “o sistema de saúde ainda é muito reativo — trata a doença quando ela já está instalada. Precisamos de políticas mais fortes de prevenção, especialmente nos municípios do interior, onde faltam cardiologistas e equipamentos.”
Nas cidades menores, o acesso a exames básicos, como eletrocardiograma e ecocardiograma, ainda é limitado. Muitos pacientes precisam ser transferidos para hospitais regionais ou para Cuiabá, o que atrasa o diagnóstico e eleva os riscos.
Os principais vilões do coração
Os fatores que mais contribuem para o avanço das doenças cardiovasculares em Mato Grosso são conhecidos:
- Sedentarismo: a rotina corrida e o excesso de tempo em telas reduziram drasticamente o nível de atividade física da população.
- Má alimentação: o consumo frequente de ultraprocessados e alimentos ricos em sal e gordura tem provocado aumento de colesterol e pressão alta.
- Diabetes e obesidade: doenças que estão entre as principais causas associadas a infarto e AVC.
- Tabagismo e álcool: hábitos que continuam em alta, especialmente entre homens adultos.
- Estresse: um fator cada vez mais comum, especialmente nas grandes cidades e entre profissionais que enfrentam longas jornadas de trabalho.
Prevenção é o melhor tratamento
Os especialistas reforçam que 80% dos casos de doenças cardíacas poderiam ser evitados com hábitos saudáveis.
Entre as medidas mais eficazes estão:
- Manter alimentação equilibrada, com frutas, verduras e menos ultraprocessados;
- Praticar atividade física ao menos três vezes por semana;
- Controlar pressão, glicemia e colesterol com acompanhamento médico regular;
- Evitar tabaco e consumo excessivo de álcool;
- Buscar ajuda médica ao menor sinal de alerta, como dor no peito, falta de ar ou cansaço incomum.
“A tecnologia ajuda, mas o cuidado começa com pequenas escolhas diárias”, lembra o médico Dr. Moraes. “O coração avisa antes de falhar — o problema é que muita gente só escuta quando já é tarde.”
Um desafio que exige políticas públicas e conscientização
O aumento expressivo dos casos também evidencia a necessidade de investimento público em prevenção e estrutura hospitalar.
Programas de educação em saúde, campanhas comunitárias e o fortalecimento da atenção primária são apontados como caminhos fundamentais para reduzir mortes e melhorar a qualidade de vida da população.
Enquanto isso, os números continuam crescendo — e cada batimento conta.
A saúde do coração dos mato-grossenses depende não apenas dos hospitais, mas de um esforço coletivo entre poder público, profissionais da saúde e cidadãos conscientes.
Matéria: NossaVozMT
Publicado em 26 de outubro de 2025
Redação e edição: JD Cardoso
