Corte de Benefício para Filhos Autistas: Mães em Desespero e Crítica ao Governo Federal

Brasil saúde

Rio de Janeiro — Dona Laudiceia, mãe do jovem Enzo, de 16 anos, vive um drama angustiante que, infelizmente, não é único. Enzo é um adolescente com autismo não verbal, ou seja, ele não fala e depende totalmente de sua mãe para as tarefas mais simples do dia a dia, como escovar os dentes e se cobrir. A única forma que Dona Laudiceia tem para sobreviver e cuidar de seu filho é com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo INSS, que consiste em um salário mínimo mensal. Contudo, essa ajuda foi abruptamente cortada pelo governo federal sem qualquer aviso prévio.

De acordo com a mãe, o benefício foi suspenso após uma última avaliação, onde a avaliadora confirmou que Enzo ainda se enquadrava nos critérios exigidos para o recebimento do BPC. No entanto, ao tentar sacar o dinheiro, ela descobriu que o pagamento havia sido interrompido, sem explicação clara ou qualquer aviso prévio por parte da Previdência Social.

Em resposta, o INSS informou que Enzo não atendia mais aos critérios de deficiência exigidos para a manutenção do benefício, deixando a mãe perplexa e em situação de vulnerabilidade. A única opção apresentada foi a possibilidade de entrar com um recurso em até 30 dias, mas Dona Laudiceia já enfrenta outro grande desafio: o filho precisa passar por uma cirurgia para retirada de um tumor benigno no cérebro, o que torna a situação ainda mais grave. Ela teme não ter como pagar os medicamentos do pós-operatório sem o benefício, além de já ter sido informada de que o processo de recurso pode demorar e complicar ainda mais a situação financeira da família.

“Eu fui até a unidade da Previdência, mas não consegui respostas. Eles não explicaram o motivo da decisão e nem me orientaram sobre o que fazer”, desabafou a mãe, que ainda enfrenta a ausência de apoio da família no Rio de Janeiro, já que a maior parte de sua rede de apoio está na Bahia.

Este não é um caso isolado. Muitos outros pais e mães de crianças e adolescentes com autismo ou outras deficiências estão sendo afetados pela suspensão do BPC, o que gera uma onda de desespero e insegurança em famílias que dependem desse benefício para garantir cuidados essenciais. A falta de transparência e de comunicação por parte do INSS tem gerado uma revolta generalizada, principalmente porque o benefício é uma questão de sobrevivência para muitas famílias, como é o caso de Dona Laudiceia e Enzo.

O governo federal precisa rever sua postura e priorizar a assistência aos cidadãos mais vulneráveis, principalmente quando falamos de pessoas com deficiência, que demandam cuidados constantes e especializados. O corte de um benefício como o BPC não pode ser feito de forma abrupta e sem critérios claros, ainda mais quando se trata de uma pessoa com necessidades especiais tão evidentes como no caso de Enzo.

O que dizem as autoridades?
Especialistas em políticas públicas e direitos humanos alertam que a revisão desses benefícios precisa ser feita com base em critérios transparentes e justos, além de garantir que as famílias tenham acesso a informações claras sobre o processo e a possibilidade de contestar decisões de forma rápida e sem prejuízo.

Leia mais sobre o impacto desse corte nas famílias de pessoas com deficiência e como a sociedade pode se mobilizar para garantir a manutenção dos direitos dessas famílias.

Opinião: O governo federal, que tem se mostrado insensível a questões sociais urgentes como esta, precisa ser mais responsável na gestão dos direitos das pessoas com deficiência. Cortes como esse demonstram não só descaso, mas também uma falta de planejamento para garantir que famílias como a de Dona Laudiceia tenham a segurança necessária para enfrentar os desafios diários de cuidar de um filho com necessidades especiais.

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Fonte: Bande news Por /NossavozMT

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