Por/ NossavozMT
Mesmo com um orçamento considerado “turbinado” para 2026, o governo Mauro Mendes (União Brasil) segue irredutível quanto à correção das perdas salariais dos servidores públicos. A negativa envolve tanto o Reajuste Geral Anual (RGA) quanto qualquer forma de recomposição salarial. A avaliação é do presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária da Assembleia Legislativa (ALMT), deputado Carlos Avallone.
Em entrevista à imprensa nesta semana, Avallone afirmou que o governo prioriza investimentos e deixa em segundo plano as demandas do funcionalismo. Segundo ele, o Executivo não demonstra compromisso com a recuperação das perdas acumuladas ao longo dos anos.
“O governo atual não tem compromisso de recuperar distorções do passado. Ele diz isso com transparência. Afirma que haverá pressão, mas que o Estado não pode gastar esse dinheiro, porque vai faltar para os investimentos”, destacou o parlamentar na quarta-feira (12).
A discussão ocorre no contexto da tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. A proposta enviada pelo Executivo estima uma receita de R$ 40,7 bilhões para o próximo ano. Porém, deputados da própria base, como o presidente da CCJ, Eduardo Botelho (União), classificaram o planejamento como um “orçamento subestimado”, afirmando que o governo repete anualmente a prática de enviar peças abaixo do que realmente arrecada.
Apesar da previsão de receita elevada, o governo insiste que não pode conceder reajustes salariais nem convocar aprovados em concursos — como o da Polícia Militar — sob o argumento de que isso comprometeria o equilíbrio fiscal. A justificativa não convence a maior parte dos parlamentares, que avaliam a arrecadação como amplamente suficiente.
Avallone reforçou que o governo mantém discurso claro sobre suas prioridades e lembra que Mato Grosso é classificado pelo Tesouro Nacional como “nível A” em responsabilidade fiscal.
“O governo se vangloria disso. Mato Grosso tem situação diferenciada no Brasil. Isso significa que as contas estão indo muito bem”, afirmou.
O deputado também esclareceu que a responsabilidade por conceder reajustes é exclusiva do Executivo, e que a Assembleia não possui instrumentos legais para criar aumentos por conta própria.
“A Assembleia não pode dar aumento aos funcionários. Isso é prerrogativa do Executivo. Nós apenas analisamos a proposta enviada e podemos sugerir alterações, mas não criar um reajuste”, completou.
A insatisfação entre os servidores cresce, enquanto o governo reafirma sua opção política: priorizar investimentos e manter congelada a recomposição salarial, mesmo com receitas recordes.
Com informações do site www.gazetadigital.com.br
