O Brasil enfrenta um paradoxo preocupante. Mesmo sendo o país com o maior número de psicólogos por habitante do mundo, também é o mais depressivo e ansioso da América Latina.
Segundo dados do Fórum Mundial de Saúde, 67% dos casos atendidos nas UBSs têm origem emocional. A constatação é clara: há profissionais, mas faltam resultados.
400 mil psicólogos e milhões de pessoas adoecidas
Hoje, o Brasil possui mais de 400 mil psicólogos formados e registrados.
Mesmo assim, o número de pessoas com depressão, ansiedade e síndromes relacionadas ao estresse nunca foi tão alto.
O problema não é apenas de quantidade, mas de efetividade técnica.
A maioria dos pacientes procura ajuda, passa por consultas, mas sai sem diagnóstico preciso ou sem melhora real.
O país forma profissionais, mas não forma soluções.
90% dos casos vão para o SUS — e 67% têm causa emocional
A realidade é dura: 90% das pessoas adoecidas mentalmente dependem do sistema público de saúde.
Apenas uma minoria consegue pagar acompanhamento particular.
Nos postos de saúde, é cada vez mais comum ver pacientes chegando com queixas físicas — dor de cabeça, enxaqueca, cólica, palpitação — que, na verdade, escondem sofrimento emocional profundo.
Esses números expõem uma lacuna grave entre a teoria e a prática da saúde mental.
O sistema público absorve a maior parte da demanda, mas sem estrutura, sem integração e sem preparo técnico adequado para dar respostas eficazes.
Formação médica dedica só um semestre à saúde mental
A formação médica brasileira também contribui para o problema.
Nos cursos de medicina, a disciplina de saúde mental ou psiquiatria ocupa apenas um semestre — cerca de três meses de conteúdo.
Em outras palavras, o profissional que vai atender pessoas adoecidas emocionalmente tem pouca base para identificar, orientar e tratar casos psicológicos.
Essa falha de formação afeta diretamente o atendimento nas UBSs, onde os médicos acabam tratando sintomas físicos de problemas que são, na verdade, emocionais.
O resultado é um sistema que medica, mas não cura.
O país mais ansioso do planeta

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e está entre os primeiros no ranking da depressão global.
Estudos mostram que quase metade dos brasileiros já enfrentou algum tipo de transtorno mental ao longo da vida.
Entre universitários e profissionais da saúde, os índices de esgotamento, ansiedade e depressão são ainda maiores.
Além das causas clínicas, problemas sociais, familiares e econômicos intensificam a crise.
Desemprego, violência, desestrutura familiar e o excesso de estímulos digitais criam um cenário de instabilidade emocional coletiva.
Faltam técnica, integração e resultados
O país tem profissionais, mas não tem um modelo eficiente de cuidado mental.
Faltam políticas públicas integradas, capacitação contínua e acompanhamento humanizado.
Na prática, o Brasil trata sintomas e negligencia causas.
Enquanto isso, o sofrimento cresce — silencioso e invisível — em todas as camadas da sociedade.
BOX DE DADOS — SAÚDE MENTAL NO BRASIL
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Número de psicólogos registrados | Mais de 400 mil |
| Atendimentos de origem emocional nas UBSs | 67%, segundo Fórum Mundial de Saúde |
| Dependência do SUS | 90% das pessoas com transtornos mentais dependem do sistema público |
| Carga horária de saúde mental nos cursos de medicina | Cerca de 1 semestre (3 meses) |
| País mais ansioso do mundo (OMS) | Brasil, seguido por EUA e Índia |
| Prevalência de depressão na população adulta (PNS/IBGE 2019) | 10,2% |
| Pessoas que já tiveram algum transtorno mental na vida | 44,8% dos brasileiros |
O que precisa mudar
O Brasil precisa rever sua forma de lidar com a saúde mental.
Mais do que números e discursos, é preciso técnica, prática e integração.
A formação dos profissionais da saúde deve priorizar a abordagem emocional e o acolhimento humano, não apenas a prescrição de medicamentos.
Sem isso, continuaremos sendo o país com mais psicólogos — e o povo mais adoecido.
Redação Nossa Voz MT
Lucas do Rio Verde (MT)
Atualizado em 18 de outubro de 2025
