Estudos apontam ganhos de até 18% na soja e 30% no girassol com a presença de polinizadores
Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos, tem na soja e no milho os principais pilares de sua economia. Mas, por trás da força do agronegócio, um aliado silencioso desempenha papel estratégico: as abelhas.
Pesquisas realizadas no Brasil indicam que a presença desses polinizadores pode elevar a produtividade da soja em 6% a 18%, ao aumentar o número de vagens e garantir grãos mais uniformes. Embora a cultura seja autógama — capaz de se autopolinizar —, os insetos contribuem para a fecundação cruzada e melhor aproveitamento do potencial produtivo.
No caso do milho, cuja polinização ocorre majoritariamente pelo vento, as abelhas também têm participação relevante. Ao coletar pólen dos pendões, auxiliam na dispersão e reduzem falhas de fecundação, especialmente em lavouras extensas.
Impacto em outras culturas
O efeito positivo das abelhas vai além das commodities. No girassol, a produção de sementes pode aumentar até 30% quando há alta atividade de polinizadores. No algodão, estudos apontam melhoria na qualidade da fibra, com impacto direto na valorização do produto no mercado.
Nas frutíferas, como manga, melancia e maracujá, além de hortaliças e café, a dependência é ainda maior: a ausência de abelhas pode comprometer de forma significativa a colheita, em alguns casos reduzindo a produção pela metade.
Biodiversidade sob pressão
Especialistas alertam que o avanço da monocultura e o uso intensivo de defensivos químicos representam riscos para as populações de abelhas. Sem áreas de vegetação nativa e corredores ecológicos, esses insetos perdem habitat, colocando em risco não apenas a biodiversidade, mas também a produtividade agrícola.
“A preservação das abelhas é uma questão estratégica para o agronegócio. Proteger os polinizadores significa assegurar colheitas melhores e mais sustentáveis”, afirma Theo Cardoso de Albuquerque, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Serviço ambiental bilionário
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 75% das culturas alimentares mundiais dependem, em alguma medida, da polinização animal. No Brasil, o serviço ecossistêmico prestado pelas abelhas é avaliado em bilhões de reais por ano, reforçando a importância de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à conservação.
Perspectiva
No estado que lidera o agronegócio nacional, a relação entre abelhas e produção agrícola vai muito além do mel. São elas que garantem o equilíbrio entre produtividade, qualidade e sustentabilidade. E, diante dos desafios ambientais, proteger esses polinizadores tornou-se uma prioridade para o futuro da agricultura mato-grossense.
