Comando Vermelho avança como um “câncer” no Brasil, e Mato Grosso enfrenta desafios agravados pela fronteira internacional

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O avanço do Comando Vermelho (CV) em diversos estados brasileiros já é apontado por especialistas como um “câncer” que se espalha silenciosamente, ocupando territórios, recrutando jovens e ampliando sua influência dentro e fora dos presídios. Em Mato Grosso, a preocupação é ainda maior devido à localização estratégica do estado na rota internacional do tráfico de drogas e armas.

Segundo analistas de segurança pública, Mato Grosso se tornou um dos estados que mais reconhecem a gravidade da atuação das facções. A Polícia Civil e Militar têm reforçado operações integradas com outras forças, mas o combate é complexo: o estado faz fronteira com Bolívia e, indiretamente, com o Paraguai, países historicamente associados ao escoamento de cocaína, maconha e armas de grosso calibre.

Fronteira: porta de entrada e saída do crime organizado

A extensa faixa de fronteira, somada às áreas de mata fechada e às rotas usadas para o escoamento agrícola, facilita tanto a entrada ilegal de entorpecentes e armamentos quanto a fuga de lideranças criminosas. As organizações se beneficiam da logística já consolidada no agro, utilizando estradas clandestinas, pistas improvisadas e até caminhões que cruzam o estado diariamente.

Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam que o Comando Vermelho expandiu suas bases para o Centro-Oeste ao longo da última década, aproveitando brechas no sistema prisional e disputas locais entre grupos rivais. A facção atua principalmente com:

  • Tráfico de drogas e armas
  • Extorsão e “taxação” de bairros
  • Recrutamento dentro de unidades prisionais
  • Execuções e disputas territoriais

Mato Grosso reage, mas o desafio é gigante

Nos últimos meses, operações integradas da Polícia Civil, PM e forças federais resultaram em prisões, apreensão de munições e desarticulação de núcleos de gerência da facção em cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop e Cuiabá. Mesmo assim, autoridades admitem que a estrutura criminosa se regenera rapidamente, substituindo lideranças e criando novos corredores logísticos.

A GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado) e a DRACO têm fortalecido investigações de longo prazo, mas a falta de efetivo e a complexidade geográfica impõem dificuldades. “A fronteira não é apenas uma linha no mapa; é um território aberto, com milhares de acessos possíveis”, explicam investigadores.

Sistema prisional: o epicentro da expansão

Grande parte do controle do Comando Vermelho em Mato Grosso ocorre de dentro dos presídios, onde a facção recruta, impõe regras e gerencia o tráfico externo. A superlotação e a falta de bloqueadores de sinal de celular favorecem o comando remoto de crimes.

Especialistas afirmam que:

  • A cada operação bem-sucedida, há risco de retaliação.
  • Presídios abarrotados geram mais aderência às facções.
  • A ausência de políticas sociais facilita a cooptação de jovens vulneráveis.

A sociedade sente os reflexos

O resultado dessa expansão é uma sensação crescente de insegurança. Em municípios do interior, comerciantes relatam medo, e famílias evitam circular à noite. A presença de facções afeta não só a segurança, mas também a economia local, o ambiente escolar, e até a capacidade de atração de novos investimentos.

Para especialistas, o combate precisa ir além da repressão: educação, prevenção, inteligência policial e integração nacional são pilares indispensáveis.

Conclusão: Mato Grosso reconhece o problema, mas superá-lo exige ação contínua

O Comando Vermelho é hoje uma das maiores ameaças ao país, e Mato Grosso — com sua importância logística, fronteira vulnerável e crescimento econômico acelerado — se tornou parte crucial desse tabuleiro nacional.

O estado está ciente do tamanho do desafio e já mostra força nas operações, mas a cura desse “câncer nacional” ainda está longe. O enfrentamento precisa ser constante, coordenado e baseado em inteligência, sob risco de permitir que a facção continue expandindo suas raízes.

Por/NossavozMT

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