A decisão que levou Jair Bolsonaro à prisão confirmou aquilo que milhões de brasileiros já percebiam: o país vive sob um comando paralelo, onde um ministro do Supremo dita regras acima da Constituição, da lógica jurídica e até do bom senso. O caso é emblemático não apenas pelo que representa contra um ex-presidente, mas pelo tamanho da violência institucional que se expõe diante de todos nós.
Alexandre de Moraes prendeu Bolsonaro sob três argumentos frágeis, contestáveis e mal explicados: uma vigília de apoiadores, um suposto risco de fuga e uma falha eletrônica na tornozeleira. Nenhum deles resiste a dez minutos de debate jurídico honesto. Vigília não é crime. Falha técnica não é violação. Suposição não é prova. Mas, para Moraes, bastou — porque sua palavra virou lei.
Estamos diante de um ministro que prende primeiro e pergunta depois, que transforma atos de terceiros em motivo para encarceramento, e que ignora que Bolsonaro ainda é, legalmente, inocente até o fim do prazo de recursos. A Constituição virou enfeite; o devido processo legal virou piada. E o mais grave: isso está acontecendo diante dos olhos de todos, como se fosse normal.
A narrativa de “risco de fuga” é tão ridícula quanto perigosa. Um ex-presidente, monitorado, sob vigilância 24 horas, cercado pela imprensa e visto como um dos homens mais conhecidos do país… fugiria para onde? Para qual buraco? Para qual país que abriria as portas? O argumento é tão fraco que seu uso revela mais sobre o autor da decisão que sobre o alvo dela.
A verdade é que Moraes atua politicamente, interferindo no jogo eleitoral, tentando desgastar Bolsonaro e semeando discórdia dentro da própria direita. A estratégia é clara: dividir, enfraquecer, desmobilizar. E, quando necessário, prender antes do tempo para evitar desgaste pessoal no futuro. É a Justiça a serviço do cálculo político.
O que causa indignação é a passividade de quem deveria defender o equilíbrio dos poderes. O Senado assiste calado. O Congresso parece anestesiado. A imprensa tradicional trata o tema com naturalidade. Mas o cidadão comum enxerga o que está acontecendo: não é sobre Bolsonaro. É sobre liberdade. Se um ex-presidente pode ser preso por suposições, qualquer brasileiro pode.
Este episódio marca um ponto crítico da nossa história recente. Não há democracia verdadeira quando um único homem exerce um poder sem freios, sem limites e sem contestação. Bolsonaro foi apenas o alvo da vez — e a direita precisa entender isso com urgência. A resposta não é violência, mas articulação, união e firmeza política.
O Brasil precisa recuperar o Estado de Direito. E esse resgate começa, inevitavelmente, por enfrentar aquilo que ninguém mais tem coragem de dizer: o poder absoluto de Moraes é o maior risco institucional da atualidade.
O país não pode seguir refém de decisões monocráticas que mudam conforme o humor de um ministro. O Brasil precisa de equilíbrio, respeito às leis e coragem para confrontar abusos — venham de onde vierem.
Aqui no NossaVozMT, seguimos fazendo o que a grande imprensa se recusa a fazer: falar o óbvio.
