O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a destacar sua proposta de promover um “Réveillon da Família” na capital mato-grossense neste ano, reforçando o tom religioso que marcou sua campanha e sua gestão. Em declaração recente, o prefeito afirmou que, enquanto muitos irão celebrar a virada com festas tradicionais, “vai ter gente que vai virar o ano de joelhos, entregando sua vida a Jesus”.
A fala, que rapidamente repercutiu nas redes sociais e nos bastidores políticos, reforça o alinhamento do prefeito com pautas cristãs e conservadoras, além de sinalizar uma ruptura com o modelo de festas públicas mais festivas promovidas por gestões anteriores.
Um Réveillon com foco religioso
Segundo Abílio, o “Réveillon da Família” não será apenas mais um evento de virada de ano, mas uma celebração com forte presença de bandas gospel, momentos de oração e espaço dedicado à reflexão espiritual.
“Quem quiser festa, que vá para as festas. Cuiabá é livre. Mas neste ano, vai ter gente que vai passar a virada de joelho, entregando sua vida a Jesus. A cidade precisa de paz, precisa de fé e precisa se reencontrar com seus valores”, afirmou o prefeito.
A declaração tem sido vista como um recado claro de que a gestão aposta em eventos religiosos como forma de mobilizar a base conservadora e evangélica que compõem boa parte do eleitorado.
Mudança de direcionamento nas festas públicas
Essa não é a primeira iniciativa da gestão Abílio envolvendo eventos públicos com viés religioso. Desde o início do mandato, o prefeito já participou de encontros cristãos, marchas pela família e programações organizadas por lideranças evangélicas da capital.
A proposta do Réveillon deste ano segue esse mesmo caminho: o evento deve priorizar famílias, ambiente sem bebidas alcoólicas e atrações voltadas ao público cristão — um contraste com os tradicionais shows seculares que historicamente movimentam a cidade na virada.
Internamente, fontes da prefeitura afirmam que o objetivo do prefeito é “reposicionar Cuiabá” como cidade alinhada com princípios cristãos, colocando a fé como eixo central das ações públicas.
Repercussão entre apoiadores e críticos
A fala de Abílio dividiu opiniões:
Apoiadores
- Celebraram a proposta como um “retorno aos valores da família”.
- Defendem que a prefeitura pode, sim, promover eventos com caráter religioso, desde que não impeça outras manifestações culturais.
- Muitos consideram a ideia como forma de “espalhar paz” em um ano marcado por tensões políticas.
Críticos
- Argumentam que o prefeito, como gestor público, deve manter equilíbrio entre diversidade religiosa e programação pública.
- Afirmam que o evento, nos moldes anunciados, pode excluir parte da população que não é cristã ou que busca programação laica.
Apesar disso, o prefeito tem reafirmado que a participação é livre e voluntária.
Expectativas para o evento
A programação oficial será divulgada pela prefeitura nas próximas semanas, mas já se fala em:
- Louvor com grandes nomes da música gospel
- Palco com mensagens de líderes religiosos
- Espaço dedicado a oração e aconselhamento espiritual
- Atrações infantis
- Estrutura reforçada para famílias
O evento deve ocorrer em local aberto e com grande capacidade de público, como a Orla do Porto ou o Parque das Águas — locais usados para eventos de grande fluxo.
Um réveillon que marca posicionamento político
Com essa fala, Abílio Brunini reforça não apenas o caráter religioso do evento, mas uma identidade política centrada em valores cristãos e conservadores, ampliando seu discurso junto à base evangélica e imprimindo uma marca própria à gestão municipal.
Enquanto Cuiabá se prepara para a virada, o Réveillon da Família promete movimentar tanto fiéis quanto opositores — e colocar a capital mato-grossense no centro do debate sobre religião, política e espaço público.
