A cena política de Mato Grosso vive um novo capítulo de tensão dentro da própria direita. De um lado, o governador Mauro Mendes (União Brasil), que nas últimas semanas elevou o tom de críticas contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Do outro, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), que busca manter o alinhamento com o bolsonarismo, ao mesmo tempo em que tenta preservar a parceria institucional com o governo estadual.
A movimentação recente expõe um racha cada vez mais evidente no campo da direita mato-grossense, que já projeta reflexos diretos nas eleições de 2026.
Wellington em “posição de ponte” dentro da direita
Embora o PL nacional seja claramente identificado como o partido da família Bolsonaro, em Mato Grosso a sigla precisa conviver com as relações históricas e administrativas que mantém com Mauro Mendes, que não faz parte do bolsonarismo.
Wellington Fagundes, senador experiente e nome influente no tabuleiro estadual, tem sido o principal articulador dessa convivência — e também a figura responsável por tentar evitar que o embate entre Mendes e Eduardo Bolsonaro evolua para um rompimento irreversível.
Nos últimos dias, Wellington classificou como “deselegantes” as críticas feitas por Mauro Mendes ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, afirmando que o PL segue comprometido com o governo estadual, mas sem abrir mão dos vínculos nacionais com a direita conservadora.
O senador tenta, assim, acalmar os ânimos e impedir que o conflito interno prejudique o partido no estado.
Mauro Mendes endurece discurso
O governador Mauro Mendes, por sua vez, adotou um tom mais duro contra Eduardo Bolsonaro, levantando questionamentos sobre posicionamentos do deputado e provocando reação dentro de setores do PL.
As declarações de Mendes foram interpretadas como um recado direto ao bolsonarismo — especialmente no momento em que o governador ainda calcula se buscará espaço no cenário nacional ou apoio para uma candidatura ao Senado em 2026.
A crítica pública do governador gerou desconforto na base conservadora, criando obstáculos para uma eventual aliança ampla da direita mato-grossense no próximo pleito.
Base bolsonarista pressiona para marcar posição
Nos bastidores, lideranças alinhadas ao bolsonarismo cobram um posicionamento mais firme do PL regional, defendendo que o partido não pode “relativizar” ataques contra Eduardo Bolsonaro.
Wellington Fagundes, que sempre transitou bem entre diferentes grupos, passa a ser visto como peça-chave na tentativa de manter a unidade dentro do PL — ou, ao menos, impedir que o conflito se transforme em um racha explícito.
2026 no horizonte: Senado e Governo no tabuleiro
A disputa interna ganha força porque, em 2026, Mato Grosso terá duas vaga ao Senado e renovará o governo estadual. Dentro do PL, há expectativas de que Wellington Fagundes seja novamente protagonista, mas a configuração das alianças dependerá do desfecho dessa crise.
Com Mendes mirando maior protagonismo nacional e o PL tentando consolidar espaços no estado, o atrito com Eduardo Bolsonaro acrescenta uma camada extra de incerteza ao cenário.
Conclusão: direita dividida e disputa aberta
A tentativa de Wellington em “equilibrar pratos” evidencia um choque de estratégias dentro da direita mato-grossense:
- Mauro Mendes aposta em autonomia política e não quer ser amarrado às pautas bolsonaristas.
- Eduardo Bolsonaro representa a base ideológica mais rígida da direita, que cobra alinhamento total.
- Wellington Fagundes tenta evitar a ruptura, mantendo diálogo com ambos, mas a pressão aumenta.
A tensão crescente mostra que a direita em Mato Grosso está longe de uma unidade — e o embate entre Mendes e o bolsonarismo pode moldar a eleição de 2026 no estado.
Por: NossavozMT JD – Cardoso
