Cada vez mais comum nos lares brasileiros, o fenômeno da “criança no comando” tem preocupado educadores, psicólogos e pais atentos aos efeitos da falta de limites. A tendência, que se reflete em comportamentos como birras, chantagens emocionais e desrespeito às regras básicas, é um dos sinais da chamada inversão de papéis familiares — quando o filho assume o controle e o adulto perde a autoridade.
Quando o “pequeno CEO” toma conta da casa
Um dos sinais mais claros dessa inversão é quando a criança dita as regras: o jantar só acontece se ela quiser, o canal da TV só muda com sua permissão, e todos evitam contrariá-la para não provocar crises.
“O problema é que o amor vira medo, e o diálogo é substituído pela submissão”, explica a psicóloga Mariana Rocha, especialista em comportamento infantil. “O pai ou mãe passa a viver refém do humor do filho.”
O perigo de banir o “não”
Outro erro comum é evitar frustrar a criança. Muitos pais acreditam que negar algo pode causar traumas, mas o resultado é o oposto: filhos que não suportam regras, frustrações ou críticas. “A frustração é parte essencial do aprendizado emocional”, destaca Mariana. “Quem cresce sem ouvir o ‘não’ vai sofrer muito com os limites da vida adulta.”
Educação não é negociação
Entre os sinais mais preocupantes está o excesso de negociação e recompensas: “Se arrumar o quarto, ganha um chocolate.” Esse tipo de troca constante transforma o aprendizado em mercado. “Quando a criança só faz algo esperando prêmio, ela não aprende responsabilidade, aprende barganha”, comenta o pedagogo Carlos Mendes.
Escola, pais e responsabilidade compartilhada
Outro comportamento crescente é o hábito de culpar a escola por tudo. Quando as notas caem, o erro é do professor, do sistema ou do colega. “Isso mina a noção de responsabilidade”, explica Mendes. “A criança precisa entender que o esforço é dela e que os pais devem sustentar a parceria com a escola, não o contrário.”
Amor com autoridade
Os especialistas reforçam que autoridade não significa autoritarismo. Ser firme não é gritar, é manter o limite com afeto e coerência. “O limite é o abraço que ensina a criança até onde pode ir com segurança”, afirma a psicóloga.
O desafio dos pais modernos
Com a rotina acelerada e o sentimento de culpa por passar pouco tempo com os filhos, muitos adultos compensam com permissividade. Porém, segundo os profissionais, o excesso de liberdade sem estrutura emocional gera insegurança, não felicidade.
Em resumo
“Criança precisa de afeto, mas necessita de autoridade. Quando o adulto abre mão do seu lugar, a casa perde equilíbrio”, resume Mariana Rocha.
O alerta é claro: educar é amar com estrutura, não com medo. Dar limites é preparar o filho para o mundo real — um ato de amor que ensina respeito, empatia e responsabilidade.
E você, acredita que as famílias de hoje estão com dificuldade em impor limites?
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Por: NossavozMT
