Crescimento do uso de telas faz aumentar a procura por óculos de grau e movimenta um setor bilionário; empresas apostam em design e estilo para atrair consumidores.
O uso excessivo de telas está mudando não apenas a forma como as pessoas se comunicam, mas também como enxergam o mundo — literalmente. Especialistas alertam que há uma epidemia global de miopia, e o fenômeno já começa a se refletir diretamente no mercado ótico, que vive um dos seus momentos mais prósperos.
Empresas do setor, como a Chilli Beans, que atua na área de benefícios e agora aposta forte nas óticas, enxergam nesse cenário uma oportunidade única. A meta é ambiciosa: dobrar o número de pontos de atendimento e chegar a 3 mil lojas nos próximos cinco anos.
“A gente agora tá no mercado ótico e o mercado ótico tá bombando. Existe uma epidemia mundial de miopia por causa do celular. O uso prolongado de telas está fazendo todo mundo comprar mais óculos — crianças, jovens e adultos”, afirmou um dos representantes da marca.
Telas demais, visão de menos
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 metade da população mundial poderá ser míope. O principal vilão, segundo oftalmologistas, é o uso excessivo de celulares, computadores e tablets, especialmente entre crianças e adolescentes que passam horas olhando para telas a curtas distâncias.
A exposição contínua à luz azul e o esforço ocular constante fazem o olho se adaptar a ver de perto, dificultando o foco em objetos distantes. O resultado é um aumento expressivo nos diagnósticos de miopia e, consequentemente, na procura por óculos de correção.
Óculos deixam de ser necessidade e viram moda
Mas o que chama atenção é que nem todos os consumidores compram óculos por necessidade médica. Cada vez mais, o acessório vem sendo incorporado como elemento estético e de estilo pessoal.
“A gente incentiva demais o uso de óculos como acessório de moda. As pessoas compram dois, três ou até quatro pares de óculos de grau para combinar com o look do dia”, explica o empresário.
O mercado acompanhou essa mudança de comportamento. Hoje, há modelos para todos os gostos e bolsos — desde armações minimalistas e transparentes até estilos retrô, coloridos e com design futurista. A tendência é impulsionada por influenciadores, celebridades e pelo próprio público jovem, que vê no acessório uma forma de expressão visual e identidade.
Setor cresce e atrai investimentos
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), o setor movimenta bilhões de reais por ano no país e deve crescer cerca de 10% ao ano até 2026, puxado principalmente pela popularização dos óculos de grau, solares e de descanso para telas.
Empresas estão ampliando franquias, investindo em tecnologia de lentes digitais e apostando em design diferenciado para atrair novos públicos. A integração com o comércio eletrônico também é um fator que vem impulsionando o setor, com o crescimento de plataformas de venda online e atendimento remoto personalizado.
Cuidado com os olhos: alerta médico
Apesar do lado positivo para a economia, oftalmologistas alertam para os riscos de automedicação e compra de óculos sem prescrição. O uso de lentes com grau incorreto pode causar dor de cabeça, fadiga ocular e até agravar o problema de visão.
A recomendação é clara: realizar consultas regulares com o oftalmologista e reduzir o tempo de exposição a telas, fazendo pausas periódicas e priorizando atividades ao ar livre — comprovadamente benéficas para a saúde ocular.
Em resumo
O aumento dos casos de miopia, impulsionado pela era digital, criou uma nova economia da visão, onde saúde e estética caminham lado a lado. Entre o cuidado e a moda, o fato é que os óculos nunca estiveram tão em alta — e o mercado está de olho nisso.
