Residências são arrombadas em plena luz do dia enquanto decreto restringe divulgação das ações da GCM
Lucas do Rio Verde vive dias de apreensão. Nas últimas semanas, moradores de diferentes bairros têm relatado arrombamentos, furtos e invasões, muitas vezes ocorrendo em plena luz do dia. A sensação de insegurança cresce a cada novo episódio, e o medo já domina conversas entre vizinhos e comerciantes.
Relatos que se multiplicam
Em um dos casos mais recentes, uma residência no bairro Veneza foi invadida durante o dia. Em outro ponto da cidade, no bairro Rio Verde, moradores ouviram barulhos suspeitos de alguém escalando o muro e o portão. Ao verificarem o que estava acontecendo, flagraram os suspeitos, que fugiram rapidamente em uma motocicleta.
Na Avenida Dalalba, um comércio também foi alvo da criminalidade. E nesta semana, outro relato reforçou a ousadia dos criminosos:
“Entraram aqui na quinta-feira, mas só roubaram os fios da internet. Eles entraram pelo telhado, e daí como o Thor fica na área, não tinha como eles saírem da casa, só pelo sótão, que foi por onde entraram. Levaram nosso cabo de internet, acho que pensaram que era cobre”, relatou uma moradora ao portal NossaVozMT.
A cena é quase surreal: bandidos entrando pelo telhado, em plena luz do dia, em busca de fios que mal têm valor — uma evidência da ousadia e da precariedade das ações criminosas.
Decreto polêmico e falta de transparência
Enquanto isso, um decreto municipal proíbe que a Guarda Civil Municipal (GCM) divulgue imagens ou informações de suas ações. A medida, segundo o texto oficial, busca “padronizar comunicações institucionais”. No entanto, para muitos moradores, o resultado tem sido o oposto: falta de transparência e sensação de abandono.
“Enquanto decreto proíbe os GCM de mostrar suas ações, casas estão sendo arrombadas em plena luz do dia em Lucas do Rio Verde”, desabafou um morador indignado nas redes sociais.
A crítica ecoa em grupos de bairro e fóruns comunitários. Muitos cidadãos afirmam que, sem informações claras sobre o que está sendo feito pela segurança pública, a confiança nas instituições diminui — e o medo aumenta.
Por que os roubos crescem no fim do ano
Com a aproximação do fim do ano, o número de furtos e invasões costuma aumentar. É um período em que:
- há maior circulação de dinheiro e mercadorias;
- muitas famílias viajam e deixam as casas vazias;
- criminosos aproveitam a movimentação para agir com rapidez.

Segundo especialistas, o aumento da criminalidade nesse período é um fenômeno recorrente, mas que exige reforço preventivo das forças de segurança e ações integradas com a comunidade.
A reação dos moradores
Nos bairros, cresce a mobilização espontânea de vizinhos. Grupos de WhatsApp têm sido usados para trocar alertas, registrar estranhos circulando pelas ruas e até repassar imagens de câmeras residenciais.
“A gente está com medo. Mesmo com mais viaturas na rua, a sensação é de que a qualquer hora pode acontecer de novo”, disse um morador do bairro Rio Verde.
Autoridades tentam responder
A Secretaria Municipal de Segurança Pública informou que aumentou o efetivo de patrulhamento e mantém parceria com a Polícia Militar, inclusive com o grupamento RAIO e o GAP, especializados em abordagens rápidas.
Mesmo assim, o número de registros e relatos não para de crescer. A população, por sua vez, cobra resultados concretos e mais presença nas ruas, especialmente à noite e nos fins de semana.
Entre a insegurança e o silêncio

O que mais preocupa é o descompasso entre a sensação real de perigo e o discurso oficial. Enquanto a criminalidade se mostra cada vez mais ousada — escalando muros, entrando por telhados, agindo durante o dia —, os canais de informação pública parecem cada vez mais limitados.
Sem saber o que está sendo feito e vendo vizinhos serem vítimas, moradores sentem-se sozinhos diante da violência.
Conclusão
A onda de furtos em Lucas do Rio Verde é mais do que uma sequência de crimes: é o reflexo de uma cidade que pede socorro. A população quer segurança, transparência e ação — não silêncio e decretos.
Enquanto isso, o medo segue crescendo, alimentado por um sentimento de abandono e insegurança que se espalha mais rápido que as viaturas conseguem reagir.
