Crise do aluguel em Lucas do Rio Verde: moradia cara expulsa trabalhadores da “capital do agronegócio”

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A prosperidade que não é para todos

Lucas do Rio Verde registrou salto populacional — de aproximadamente 92.256 habitantes em 2024 para 95.792 em 2025 (crescimento de 3,83 %). Ao mesmo tempo, está entre as 60 cidades com maior renda per capita do país, cerca de R$ 2.091 segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Mesmo assim, para muitos moradores de aluguel, o sonho da cidade próspera vira desafio.

Aluguel alto, salário baixo: a bomba no orçamento

Mais da metade da população vive de aluguel. Relatos apontam que valores elevados e exigências como “três ou quatro aluguéis de entrada” tornam o acesso à moradia quase inacessível para quem recebe salário de base — mesmo em cidade de agro­relevância.

“Você paga caro no aluguel… nem todo mundo aqui é fazendeiro.”
“Em Lucas do Rio Verde, sem qualificação, você vai ganhar salário mínimo. E com aluguel caro não dá para viver bem.”

Quem vive na base sente no bolso

Apesar da renda per capita elevada, a realidade diária mostra salários modestos para muitos — vinculado a serviços públicos, limpeza, atendimento ou funções de apoio no agronegócio. Para esse contingente, o peso do aluguel combinado ao custo de vida na cidade impõe escolhas duras: mudar de bairro mais afastado ou mesmo deixar a cidade.

Programas habitacionais são insuficientes

O poder público lançou mais de 3 mil moradias em menos de três anos, e iniciativas foram anunciadas. Mas a oferta ainda não cobre o volume de famílias vulneráveis pressionadas pela alta do aluguel e pela migração para funções menos qualificadas. Há falta de políticas de regulação do mercado de aluguel e subsídios habitacionais fortes.
Sem estratégia eficaz de mediação entre crescimento econômico e moradia acessível, a “capital do agronegócio” corre o risco de excluir os trabalhadores que fazem a cidade funcionar.

Onde vão os que partem?

Muitos optam por bairros periféricos — com menos infraestrutura e mais deslocamento — apenas para reduzir o aluguel. Outros preferem migrar para municípios vizinhos mais acessíveis ou retornar às suas origens. Um caso citado: mudança de Lucas para Sorriso por conta de salário melhor e aluguel mais baixo.

“Conheço quem já pediu volta para a cidade dele — sozinho não dá para manter aluguel e o básico aqui.”

Um futuro que exige justiça urbana

Lucas do Rio Verde se destaca no Brasil pelo agronegócio e atração de investimentos. Mas o verdadeiro teste agora é evitar que o progresso expulse quem ajuda a construí-lo. O crescimento sustentável precisa contemplar moradia digna para trabalhadores, políticas habitacionais eficazes, regulação do aluguel e valorização da qualificação profissional.

Só assim a cidade poderá honrar o lema de prosperidade: crescimento que não abandona quem trabalha todos os dias para que ele aconteça.

NossaVozMT continuará acompanhando o tema, ouvindo moradores, autoridades e especialistas para cobrar soluções concretas que garantam o direito à moradia digna em Lucas do Rio Verde.

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