(Por: Prof. Neiman)
Não há celebração justa neste Dia do Professor no Brasil
Enquanto persiste uma cultura de desvalorização que pune quem deveria ser celebrado, o Dia do Professor torna-se mais um lembrete amargo da realidade enfrentada pela categoria.
Verbo e agressões físicas, instabilidade, baixos salários, sobrecarga, desprezo: tudo isso revela uma sociedade que esquece o quanto depende da educação de qualidade – e que mal consegue enxergar seus professores como o pilar desse fundamento.
A realidade que condena
São cerca de 2,4 milhões de docentes na educação básica, mas muitos atuam em condições precárias, com contratos temporários, jornadas duplas ou triplas, falta de suporte e infraestrutura inadequada.
A remuneração média dos professores públicos ainda está abaixo do que deveria para equiparar-se aos demais profissionais com ensino superior. Embora tenha havido alguma melhora, a diferença salarial permanece significativa.
Políticas públicas seguem sendo descontinuadas ou mal executadas. Falta melhor estrutura de incentivos reais: planos de carreira que funcionem, valorização institucional, reconhecimento social.
A qualidade do ensino sofre: índices como o IDEB mostram que, embora haja progresso em certas etapas da educação básica, há estagnação ou recuo em outros momentos — especialmente no ensino médio, onde o Brasil alcança notas mais baixas.
A importância de valorizar de fato
Valorizar professor não é dar palmas uma vez por ano; é reconhecer seu papel social e investir:
- Plano de carreira digno – progressão, formação continuada, salários que reflitam sua importância, estabilidade.
- Condições de trabalho decentes – turmas menores, infraestrutura, segurança; sem isso, os riscos de agressão (física ou verbal) aumentam.
- Reconhecimento institucional e social – parar de tratar professores como culpados pelos fracassos do sistema educativo; entender que uma sociedade bem educada exige respeito, responsabilidade e investimento contínuo.
- Políticas públicas sérias – financiamento digno, execução de leis como o Piso Nacional do Magistério, compromisso com o Plano Nacional de Educação.
Reflexão final
Neste Dia do Professor, é preciso mais do que flores ou discursos vazios.
É necessário arrependimento coletivo de negligenciar quem educa, solidariedade com quem ensina sob desrespeito, e uma exigência firme de mudança.
Celebrar, quando a sociedade persegue verbal e fisicamente seus professores, é mascarar uma séria ferida social.
No Brasil, hoje, não há o que comemorar: há urgente o que reconstruir.
