Escolas Cívico-Militares em Alta: Segurança e Disciplina Dividem Opiniões em Lucas do Rio Verde

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O Governo do Estado de Mato Grosso tem ampliado o número de escolas cívico-militares, e a mudança vem sendo sentida de forma direta nas comunidades escolares. Com o objetivo de garantir mais segurança, reduzir a indisciplina e promover práticas de prevenção à violência, o modelo ganha força e desperta debates sobre os rumos da educação pública estadual.

Em Lucas do Rio Verde, duas unidades já adotaram o formato: Escola Estadual Manoel de Barros e Escola Estadual Ângelo Nadim. Ambas contam com policiais da reserva atuando na rotina escolar, apoiando a gestão e contribuindo para o controle da disciplina — algo que, segundo gestores e professores, tem feito diferença no ambiente educacional.

“O problema é que o Estado não oferece os mesmos recursos humanos e estruturais para as escolas regulares. Fica parecendo que há uma deterioração proposital, para depois apresentar o modelo cívico-militar como solução”, afirmou um gestor de escola estadual que preferiu não se identificar.

A crítica reflete um sentimento comum entre parte dos educadores: o de que a falta de investimento nas escolas regulares — especialmente em segurança, porteiros, monitores e apoio psicossocial — agrava a sensação de desamparo. Apesar da presença de câmeras, muitos relatam que os alunos circulam livremente pelos corredores e, em alguns casos, entram sem controle algum.

“Temos câmeras, mas não temos porteiro. Como controlar adolescentes que chegam e saem sem supervisão?”, questiona o gestor.

Enquanto isso, cresce a demanda por resultados e o desgaste da equipe pedagógica. Professores e coordenadores relatam que a sobrecarga e a falta de apoio acabam comprometendo o foco principal: oferecer uma educação de qualidade e um ambiente seguro aos alunos que realmente querem aprender.

Pais Apoiam Modelo Cívico-Militar

Entre as famílias, o apoio ao modelo é visível. Muitos pais enxergam nas escolas cívico-militares uma forma de proteger seus filhos e restringir o acesso a substâncias ilícitas como cigarros eletrônicos e bebidas dentro do ambiente escolar.

“Sabemos que o adolescente está exposto a muitas tentações. Se o modelo militar ajuda a manter a ordem e garantir segurança, então sou a favor”, relatou uma mãe em contato com a redação do Nossa Voz MT.

Há também pais de alunos da Escola Estadual Dom Bosco, uma das mais tradicionais de Lucas do Rio Verde, que manifestam o desejo de ver a unidade transformada em cívico-militar. Com mais de 1.500 estudantes e 40 anos de história, muitos acreditam que a mudança seria “um ganho para a cidade e uma oportunidade de preparar os jovens para um futuro mais promissor”.

Professores Mantêm Posições Divergentes

Entre os educadores, o tema divide opiniões. Um professor ouvido pela reportagem destacou que vê o projeto com bons olhos, mas defende que os resultados obtidos nas escolas cívico-militares são consequência direta do investimento:

“Se as escolas regulares tivessem o mesmo suporte humano e material, também alcançariam bons resultados.”

Por outro lado, outro docente se mostrou contrário à expansão do modelo, argumentando que ele limita a identidade e a autonomia pedagógica das instituições:

“O modelo cívico-militar acaba suprimindo parte da liberdade da escola e descaracterizando o trabalho que já vinha sendo feito com a comunidade.”

Entre a Disciplina e a Autonomia

O debate em torno do tema evidencia o dilema entre disciplina e autonomia, controle e liberdade, investimento e igualdade de oportunidades.
Enquanto o Estado avança na implementação de novas unidades cívico-militares, professores, gestores e famílias seguem refletindo: o caminho para uma educação mais segura e eficiente passa apenas pela presença militar, ou pela valorização integral da escola regular?

Reportagem: Redação Nossa Voz MT
Lucas do Rio Verde (MT), outubro de 2025

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