Professores de Lucas do Rio Verde enfrentam pressão, desinteresse dos alunos e falta de apoio

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A realidade de ser professor em Lucas do Rio Verde está cada vez mais difícil. Em sala de aula, os educadores lidam diariamente com alunos desmotivados, sem limites e, muitas vezes, sem o acompanhamento necessário das famílias. Nem mesmo estratégias diferenciadas, com uso de tecnologia, dinâmicas criativas ou humor, têm despertado o interesse dos estudantes. Esse desinteresse profundo compromete a aprendizagem e coloca em risco o futuro acadêmico de muitos jovens.

Apesar da boa estrutura física e tecnológica das escolas, com internet disponível e acesso à pesquisa, a educação não avança quando faltam apoio efetivo e envolvimento da comunidade. Muitos pais ainda jogam toda a responsabilidade sobre a escola, sem acompanhar tarefas ou impor limites em casa, o que sobrecarrega ainda mais o trabalho do professor.

Outro ponto crítico é a ausência de profissionais de apoio. Enquanto escolas cívico-militares contam com policiais da reserva para auxiliar na disciplina, as demais escolas da rede estadual ficam desamparadas. Professores, sem esse suporte, enfrentam situações de indisciplina que prejudicam o andamento das aulas.

A pressão da gestão também pesa. Há relatos de docentes que, mesmo apresentando atestado médico, têm o salário descontado. Em uma cidade onde o custo de vida é altíssimo, como Lucas do Rio Verde, essa prática se torna ainda mais desumana. O recado parece claro: o professor não pode ficar doente. Essa política, somada à promessa de gratificação apenas para quem não falta, não motiva — pelo contrário, adoece ainda mais a categoria.

O impacto dessa realidade já é visível. Muitos professores enfrentam problemas emocionais e físicos, tratados apenas como números em relatórios de secretaria. A cobrança por resultados cresce, enquanto o apoio efetivo diminui.

Esse cenário não é exclusivo de Lucas do Rio Verde. É verdade que o município, a duras penas, sempre conquista algum destaque em nível estadual, mas nesse quesito — o da valorização e do suporte aos professores — ainda precisa melhorar muito. E acredita-se que, nas demais cidades de Mato Grosso, a realidade não seja diferente.

No meio disso tudo, ainda sobra espaço para acusações ideológicas. Parte da sociedade insiste em dizer que professores “doutrinam” alunos. Quem vive a rotina escolar, no entanto, sabe a verdade: se o professor conseguir ministrar sua aula já é uma vitória. Diante de tanta indisciplina e desinteresse, falar em doutrinação é, no mínimo, desconhecer a realidade da sala de aula.

O desafio de ensinar em Lucas do Rio Verde é grande e reflete uma crise mais ampla da educação pública em Mato Grosso. É urgente repensar políticas, oferecer apoio real às escolas e valorizar, de fato, o professor — não apenas em discursos, mas em condições dignas de trabalho e respeito ao seu papel central na sociedade.

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