Nesta terça-feira, 26 de agosto de 2025, o Brasil voltou seus olhos para a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o reforço na vigilância policial em tempo integral, com presença da Polícia Penal do Distrito Federal ao redor do condomínio. A medida atende a pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, que avaliaram haver risco de fuga do ex-presidente, hoje em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprimento de medidas cautelares.
Bolsonaro já faz uso de tornozeleira eletrônica, mas a PF argumentou que o dispositivo pode sofrer falhas ou interferências, comprometendo o monitoramento. Em eventual perda de sinal, as autoridades poderiam demorar para identificar uma fuga. Por isso, a corporação foi além e sugeriu a permanência de agentes dentro da própria residência, 24 horas por dia, algo inédito em se tratando de um ex-presidente da República. O pedido foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, que agora deve se manifestar antes da decisão final.
O reforço da segurança ocorre em meio à revelação de que Bolsonaro teria guardado, desde 2024, um rascunho de pedido de asilo político à Argentina. O documento, encontrado em seus aparelhos, acendeu ainda mais o alerta das autoridades. A situação ganhou projeção internacional, com veículos estrangeiros destacando que o julgamento do ex-presidente está marcado para o dia 2 de setembro, quando ele e aliados responderão por acusações de tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.
A Polícia Federal citou ainda precedentes jurídicos, como o caso “Lalau”, em que agentes permaneceram no interior da residência do custodiado para assegurar o cumprimento da pena domiciliar. Essa lembrança serve de argumento para embasar a nova solicitação de vigilância permanente.
No campo político, os desdobramentos também ecoam no exterior. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, tem buscado apoio junto a parlamentares norte-americanos, pressionando contra decisões do STF e reforçando a dimensão diplomática dessa crise. O episódio mostra que a disputa envolvendo Bolsonaro não se limita às fronteiras nacionais, mas se projeta em debates internacionais sobre liberdade, democracia e justiça.
Apesar das pressões e da narrativa de perseguição que divide a opinião pública, o momento deve ser encarado como uma prova de maturidade institucional. O reforço policial não deve ser visto apenas como uma medida de contenção, mas como uma blindagem do próprio Estado de Direito, que busca garantir que o processo judicial ocorra sem riscos, com segurança e transparência.
Bolsonaro, figura central da política brasileira na última década, segue sendo notícia diária, pautando os jornais e despertando preocupação entre seus seguidores. Mas é justamente neste cenário de tensão que se fortalece uma mensagem de esperança: a de que o país atravessará esse julgamento histórico com serenidade, dentro da legalidade e do respeito às instituições.
O Brasil vive hoje um dos capítulos mais intensos de sua democracia recente. A vigilância permanente sobre Bolsonaro não é apenas sobre um homem ou um ex-presidente: é sobre a força da lei, a responsabilidade de quem a aplica e a certeza de que nenhuma liderança política está acima das regras que regem a República. E, para muitos brasileiros que acreditam em dias melhores, este é o sinal de que, mesmo em meio à tempestade, a democracia se renova e a esperança resiste.
