Vidas perdidas no trecho mais perigoso de Mato Grosso

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O mês de agosto de 2025 tem confirmado, mais uma vez, a triste fama do trecho da BR-163 entre Nova Mutum e Sinop como a chamada “Rodovia da Morte”. Em apenas três semanas, a rodovia que é espinha dorsal do agronegócio mato-grossense foi palco de tragédias que tiraram a vida de ao menos 15 pessoas, além de dezenas de feridos, muitos deles em estado grave.

Esse corredor, vital para o transporte da produção agrícola, é também uma rota de dor para inúmeras famílias que, de uma hora para outra, veem seus entes queridos não voltarem para casa.

Acidentes que marcaram agosto

07 de agosto – km 595: tombamento de uma carreta baú deixou dois feridos e paralisou o tráfego por horas.

08 de agosto – km 648, Lucas do Rio Verde: um dos piores acidentes do ano. A colisão entre um ônibus e uma carreta resultou em 8 a 11 mortes confirmadas e deixou 46 pessoas feridas, das quais sete precisaram permanecer internadas.

20 de agosto – km 638, Nova Mutum: um Corolla Cross e um caminhão bateram de frente. O motorista do carro não resistiu, e o passageiro foi encaminhado ao hospital.

22 de agosto – km 704, Sorriso: colisão frontal entre um Hyundai HB20 e uma Fiat Strada tirou a vida de dois homens. Uma das vítimas, Evadir Prezotto, 79 anos, era pioneiro de Lucas do Rio Verde e figura querida na comunidade católica. O outro, Dener Cristhian Lirani, era agrônomo que havia se mudado recentemente para Sorriso.

Um alerta que não pode ser ignorado

Cada estatística esconde uma história interrompida, um lar que ficou vazio, uma comunidade que sente a ausência. No caso de Evadir, até um simples detalhe comovente tocou a todos: ele foi encontrado com o terço ainda em mãos, testemunho de fé no instante final.

Esses episódios reforçam o alerta a quem trafega diariamente pelo trecho entre Mutum e Sinop: a combinação de pista simples, fluxo intenso de carretas, obras em andamento e imprudência segue fazendo vítimas.

A duplicação de parte da BR-163 trouxe melhorias em determinados segmentos, mas os números deste mês mostram que ainda há um longo caminho até que a rodovia deixe de carregar o título de uma das mais letais do país.

Empatia e responsabilidade no trânsito

Não se trata apenas de infraestrutura. A atitude dos condutores pode salvar ou ceifar vidas. Respeitar os limites de velocidade, evitar ultrapassagens em locais proibidos, manter a atenção constante e revisar as condições do veículo são medidas que parecem pequenas, mas que fazem toda a diferença.

Às famílias enlutadas, restam o luto e a saudade. À sociedade, cabe a reflexão: quantas mortes ainda serão necessárias para que se cumpra a promessa de uma rodovia segura?

Agosto está sendo um mês de alerta. A BR-163, entre Mutum e Sinop, continua cobrando um preço alto demais. Que cada motorista que pegar esse trajeto lembre-se de que, no volante, carrega não apenas sua vida, mas também a de quem cruza o mesmo caminho.

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