Na noite desta terça-feira, o deputado federal Gustavo Gayer (GO) levantou sérias críticas à postura do ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de trechos de conversas pessoais entre o pastor Silas Malafaia, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro. Segundo Gayer, a exposição seletiva de diálogos privados não teria relação direta com o inquérito em andamento, mas teria sido usada como forma de enviar uma mensagem velada aos demais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em vídeo publicado em suas redes, o parlamentar destacou que a decisão de Moraes em tornar público um print específico — no qual Bolsonaro comenta ter conversado com ministros do STF preocupados com sanções — teria objetivo claro: intimidar colegas de corte.
“Alexandre de Moraes está tentando, mais uma vez, intimidar os outros ministros do STF, que são, na maioria, medrosos e covardes, e seriam facilmente intimidados. Ele escolheu um trecho que não tem nada a ver com nada, mas que humilha seus colegas ao expor suas preocupações em público”, afirmou Gayer.
Críticas internas no STF
A fala do deputado encontra eco em reportagens recentes, que apontam incômodo dentro do próprio Supremo. Ministros, em caráter reservado, teriam considerado inadequada a inclusão de conversas pessoais em relatório da Polícia Federal usado para embasar o indiciamento de Bolsonaro. Um deles classificou a medida como “tentativa de criação de fato político para desgastar imagens”, alertando para os riscos de contaminação política das investigações.
A humilhação como instrumento de pressão
Para Gayer, a atitude de Moraes revela um movimento perigoso de coagir e controlar os demais ministros pela exposição pública:
“Se fica público que os ministros do STF estão com medo de sanções, isso é humilhante. Ele humilhou os colegas e tenta controlar através da humilhação. Se vocês bundarem, todo mundo já sabe que são medrosos. Agora, ou ficam com ele, ou serão ainda mais humilhados.”
Reflexo na democracia
O deputado encerrou seu desabafo cobrando postura firme dos demais ministros da Suprema Corte diante do que classificou como abuso de poder:
“Com todo respeito, isso tem que acabar. Ministros do STF, vocês viraram realmente capachos adestrados do Alexandre de Moraes? É inconcebível uma coisa dessa.”
A denúncia de Gayer soma-se ao crescente debate sobre os limites de atuação da Polícia Federal e do STF em investigações de cunho político, reforçando a preocupação de setores conservadores quanto ao uso seletivo da Justiça como arma de intimidação
